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02/06/2008
A escola que ainda não vi nas ruas

INFORMATIVO AJASS
12ª EDIÇÃO.

Em algumas pequenas cidades, tirando o comentário do carnaval, o que mais se houve falar em abundância, em especial, nos carros de som (bandeirante) é sobre educação, isto é, em escola. As lojas, que vendem material destinado a esse fim, já começaram a disparar as metralhadoras de longo alcance – a disputar clientes. Assim, propalam promessas mirabolantes, desde esticar o prazo, grande desconto, a dar prêmios a partir de determinado valor, além de outros. 
Para não esquecer a lógica do capitalismo, cada um – quando não acontece de passar a rasteira de maneira velada – procura um chamariz, amoleto, para apresentar. Subentende-se a isso, anúncio: de qualidade no material escolar, brinde, artigo da ‘última’ moda, prazo, perpassando até pelo bom atendimento.
Por sua vez, as escolas particulares não ficam atrás. Aliás, em matéria de venda, têm um discurso persuasivo melhor, vez que asseguram uma preleção muito além dos referidos comércios. Algumas oferecem piscina, quadra poliesportiva, espaço de recreação, laboratório de informática, enfim. Outras também prometem conduzir o aluno/a (sem luz!) ao portão da universidade. Nem que seja, mais adiante, para aumentar a legião de mão-de-obra especializada; senão, para “servirem apenas” ao exército de reserva. Na verdade, essas prometem, sem igual, um mundo de fantasia para o alunado.
 No entanto, nenhuma, até então, se preocupou em apresentar uma biblioteca, com um arsenal de bons livros. Igualmente são os empórios que não lembram de ofertá-los, em seus brindes.
Enquanto as “Empresas Escolares” vêm disputando clientes, formando seu esquadrão de ‘um homem só’, as escolas públicas parecem ainda encontrar-se sob a letargia das férias. Não há nenhum meio de comunicação, como carro de som – “ofertado” pelo gestor municipal, do mesmo modo que faz para anunciar o carnaval – conclamando a todos(as) sobre a importância da escola pública. Desse modo, cada vez mais, o ensino público vai se atrofiando,
enquanto o modelo de ensino particular se ecoa, insistentemente, nos ouvidos dos(as) munícipes.

  Justino Cosme – Estudante
negroterra@yahoo.com.br
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